História da Matemática

terça-feira, setembro 05, 2006

Eu, Meus Afilhados, Meus Questionamentos...

Na última sexta-feira estava indo para a aula e pensando em como começaria este blog, qual seria o primeiro texto? Pensei e tornei a pensar...
Como por passe de mágica me veio a lembrança de meu afilhado, Guilherme me dizendo quantos aninhos estava fazendo no dia de seu aniversário, dois dias antes.
Cheguei à casa de minha tia, dei parabéns a ele e perguntei: “Gui, quantos aninhos o nenê tá fazendo?” Mais do que pronto ele me mostrou quatro dedinhos da mão direita com uma carinha de felicidade. Então tornei a perguntar: “E quantos aninhos é isso?” Ele rapidamente e com muita certeza me respondeu: “Cinco, dinda!”. Eu e meu marido começamos a rir e eu disse a ele que tinha mostrado para nós quatro aninhos e não cinco, mas ele convencido de estava certo respondeu: “Não dinda, isso é cinco!”.
Na sexta, quando voltei da aula e fui ver o Gui, porém, ele tinha mudado de opinião, agora mostrava dois dedos da mão direita e dizia: “Dinda, eu to ‘fazeno’ dois aninhos!”.
A atitude do Gui me fez questionar como uma criança de quatro anos sabe ou não quantos dedos está mostrando a um adulto. Então me lembrei de outro afilhado meu, Hiago, com 13 anos é uma criança com facilidade para compreender diversos assuntos e raciocínio muito mais rápido que a maioria dos adolescentes de sua idade.
Pensando nisso me veio à lembrança os primeiros anos de vida do Hiago, ele nasceu quando eu tinha 12 anos apenas, e quando ele estava aprendendo a falar, sua brincadeira preferida era contar (diferente do Gui), no começo eu dizia 1, ele respondia 2, quando eu dizia 3 ele seguia dizendo qualquer seqüência de números que pudesse pronunciar. Mas quando estava com uns dois anos já contava até 10 sem ninguém precisar corrigi-lo e da mesma forma com as letras do alfabeto.
Comparando o desenvolvimento cognitivo dos dois na primeira infância me questionei em qual seria a diferença, pois ainda que o Gui não tenha idade escolar, o desenvolvimento de linguagem e expressão dele é muito diferente do Hiago com essa idade, e pensei que talvez fosse justamente o fato da intensidade no incentivo com os números, pois a maioria dos pais começa a incentivar os filhos depois que eles já estão sendo alfabetizados, diferente do Hiago, que de todas as crianças que conheço é o único assim.
Por exemplo, hoje, já na era da informática, ele aprende coisas no computador duas, três vezes mais rápido que eu, que tenho o dobro de sua idade e estou terminando a graduação. Lógico que igual ao Hiago existem milhares de crianças, algumas até com mais facilidade em aprender que ele...
Esse assunto me rendeu tantas dúvidas que acabei lembrando em como aprendi a gostar de números, lembro-me de quando tinha mais ou menos cinco anos e meu avô, um senhor analfabeto que não sabia nem assinar seu próprio nome, me ensinava a somar e subtrair brincando com os números, minha brincadeira favorita – diferente da maioria das crianças da minha idade – era que minha mãe passasse continhas pra que meu avô me ajudasse a fazer.
Meu Avô fez um trabalho tão bem feito que minhas professoras se admiravam de como eu resolvia os cálculos tão rápido, e de como uma criança tão pequena conseguia inventar maneiras de verificar se as respostas dos cálculos estavam certas (o Vô e minha mãe me ensinavam truques interessantíssimos).
Levando tudo isso em conta pensei se o fato de os números terem sido incorporados tão cedo ao meu cotidiano e ao do Hiago, não seria o motivo de fazermos parte desse minúsculo grupo de pessoas que não odeia e teme tanto a matemática, lógico que sempre se leva em conta, nesses casos, os fatores genéticos. Mas como se explica um filho que nasce de um casal sem habilidades na área das exatas, e ainda assim desenvolve habilidades em matemática, física ou computação de maneira absurdamente maior que outras crianças?

Outro exemplo que me chama atenção é a Kailane, sobrinha do Hiago, filha do meu primo com a mesma idade que eu, tem dois anos, e uma memória de dar inveja a muito adulto, já sabe contar, adora que os meus primos pequenos brinquem de se esconder para que ela possa contar para eles, sabe cantar inúmeras músicas que para sua idade são demasiadamente difíceis, e por incrível que pareça, sabe quantos dedos está mostrando aos outros. Mas, logicamente terei que esperar a Kailane crescer para ver como ele irá desenvolver suas habilidades com os números.
Claro, que para alguém ter excelente raciocínio ou habilidades com questões exatas é preciso que se some a sua vida, não só o incentivo quando criança, mas fatores como: ensino-aprendizagem em sala de aula, bons professores, etc.
Diante de tudo isso resolvi que esse será assunto de pesquisa para mim daqui para frente. O Hiago, a princípio, ficou desconfiado quando disse que o primeiro texto deste blog seria baseado nele, mas depois que expliquei, ele achou muito interessante ser estímulo para uma pesquisa.
Para terminar minha breve história sobre essa experiência gostaria que você que lesse esse texto enviasse sua opinião para mim, meu e-mail é carina1@mx2.unisc.br .

2 Comments:

  • At 4:59 PM, Anonymous Hiago Mattos said…

    Achei interesantissímo, penso que é um fator a ser estudado, também penso que você pode ter razão pois quando mais jovem a criança aprende coisas que estejam a sua altura de conhecimento mais facilidade terá adiante em sua vida.

     
  • At 6:54 PM, Anonymous Ana Cláudia said…

    Gostaria de dizer que acho muito interessante que alguém goste de explorar assim a história da matemática, mas acho esse conteudo muito amplo e difícil de ser desenvolvido, de qualquer forma, seu blog ficou muito bom, principalmente a parte que fala de seus afilhados.

     

Postar um comentário

<< Home